Ninguém emagrece efetivamente sem reorganizar a vida e preparar-se para este evento. Emagrecer e ficar magro é uma condição que exige competência para lidar com a força imposta pela nova imagem corporal adquirida através do tratamento.
Martins – 1994

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Disse a cliente...


Lado a lado
Tem alguma coisa estranha acontecendo aqui dentro. A primeira explicação vem fácil: TPM. Certamente essas três letrinhas têm grande influência nesta inquietação, mas sinto que existe algo mais.  Vamos à análise dos fatos.
Primeiro: meu pai ligou e disse que vem nos visitar no final de semana. É uma ótima notícia, então, qual é o problema? Penso daqui, reflito dali. Já sei: junto com o papai chegará uma mala – isso mesmo! – cheia de quitutes que amo, carinhosamente preparados pela mamãe! Isso também não é uma ótima notícia?! Seria, se eu não estivesse fazendo restrição de leite de vaca e de glúten. Trocando em miúdos: não vou poder comer nada e ainda vou ter de explicar a situação a meu pai. Chato, mas ainda não é o xis da questão.
Segundo: terça-feira fui à terapia e, como de costume, o psicólogo puxou a balança e disse “vamos lá”?! Subi, esperei o visor mostrar os números mágicos – aqueles que fazem a gente ir do céu ao inferno, ou vice-versa, em uma fração de segundos! 90 quilos! Não acreditei! Ah, vai, TPM, retenção... Sim, tecnicamente eu sei disso, mas emocionalmente não aceito. E os 88,4 kg de hoje cedo, aqueles que vi na balança de casa, às 5h45 da manhã, em jejum, pós-xixi matinal, vestindo só calcinha? Óbvio, com variáveis diferentes, o peso não poderia ser o mesmo, mas a gente não se lembra disso quando está em cima da dita cuja. Moral da estória: frustração... hummm, muito, muito chato, mas ainda não é isso.
Terceiro: a colega do trabalho também está de dieta, fazendo musculação, e direto vem me contar os seus progressos. Fico feliz por ela, porém algo me incomoda. O que será? Começo a ligar os fatos...
Quarto: fui ao cinema, filme divertido! Era para ser tudo ótimo, só que não foi. Por quê? Tudo por causa de uma pipoca caramelada (tamanho M) e de uma guloseima de amendoim com cobertura de chocolate ao leite (tamanho P no pacote e EXG na culpa!). Que raiva! As coisas estão ficando ainda mais claras...
Quinto: sábado é dia de aula de meditação, já estou prevendo, a partir de experiências anteriores, que a professora irá avaliar o sucesso da técnica com base no meu peso: emagreci, estou praticando, engordei estou relaxada. Que estresse!
Para finalizar: lembro que 1) não estou indo à academia, embora seja uma recomendação do fisioterapeuta; 2) tenho aula de culinária e, com certeza, as receitas terão glúten e leite de vaca, ou seja, vou sair da dieta; 3) amanhã é dia de Vigilantes do Peso, portanto balança à vista.
Bingo! Junta daqui, dali. Aí está a fonte de toda essa angústia! Mesmo quando eu tento fugir, o emagrecimento, esse tema “de peso”, me persegue! Em vez de curtir a alegria de passar um final de semana com meu pai, penso que a dieta vai por água abaixo; frequento as sessões de terapia para me sentir melhor, mas saio chateada por causa da p*%&#ra do peso; suponho que vou esquecer da gordura no trabalho, mas a colega vem me lembrar que é preciso estar ligada, o tempo todo; tento uma ida ao cinema para relaxar, e sou engolida pela pipoca; busco a meditação para ter leveza na alma, mas saio pressionada pela expectativa de resultados práticos, visíveis a olho nu.
Como não se angustiar com tudo isso? Praticamente impossível. Preciso parar e rever algumas – muitas! – coisas. É hora de curtir a visita do papai, com ou sem biscoitinhos mineiros; o cinema, idem!
Quanto à terapia, está decidido: não quero mais subir naquela balança. Simples assim! Eu já me peso na segunda-feira em casa, não é?! Então, na terça, levarei o peso anotadinho para o psicólogo. E se ele achar que estou mentindo? Garota, fala sério, você já tem 33 anos!
Na meditação, também terei de abrir o jogo: eu compreendo a preocupação da professora, só que eu quero aproveitar aquela horinha para alimentar o meu espírito! Para focar no cuidado com o corpo, eu tenho outros momentos.
Academia? Não abandonei, estou apenas fazendo uma pausa, mês que vem, volto com tudo, menos as dores que terão melhorado com o repouso forçado! Aula de culinária? Qual o problema de provar uma comidinha aqui outra ali, com leite e com glúten? Eu não prometi ficar o resto da vida sem chegar perto desses alimentos. Estou somente fazendo uma restrição temporária, por 30 dias, e não preciso ser 100%: se eu conseguir fazer 90% do que me propus, estará ótimo, na verdade, excelente! Vou aproveitar a aula para aprender a fazer refeições gostosas e leves, que serão sempre úteis.
Vigilantes do peso? Eu vou! Não dá para deixar de assistir às divertidas palestras motivacionais. Ter de subir na balança é como se fosse a parte burocrática do show: aquela hora em que somos revistadas pelos seguranças para ver se portamos algo “proibido” (do tipo umas gordurinhas a mais!). Depois, é só relaxar e aproveitar!
E a colega do trabalho? Vou tentar mudar o foco, pensar não no incômodo que o assunto me causa, e sim na oportunidade de dizer algo útil, como: o resultado da balança é um indicador importante, só não se esqueça de que ele não é o único. Por exemplo, veja se está mais disposta, avalie se está mais feliz! Para quem estou falando mesmo? Eita, está na hora de dizer isso para mim!

Vamos mudar o foco: o emagrecimento não me persegue, ele me acompanha! É melhor eu aprender a ter uma relação saudável e a conviver em paz com esse companheiro.

Autoria de V. Bernardes, uma cliente do S.E.I. - Sistema EmagreSer Integral

2 comentários:

  1. Dulce Bergmann20/08/2013 11:41

    Adorei a conclusão do texto: "o resultado da balança é um indicador importante, só não se esqueça de que ele não é o único. Por exemplo, veja se está mais disposta, avalie se está mais feliz!" Numa sociedade obcecada pela beleza e pela boa forma como a nossa, muitas vezes outros valores e "pesos" importantes são esquecidos e "engolidos" por aqueles que nos são impostos pela mídia e pela cultura vigente.

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  2. Isso mesmo, Dulce! A pressão para valorizar a imagem em detrimento da experiência vivida é muito forte em nossa sociedade e nos convoca a uma atenção plena, capaz de defender o direito de Ser quem se É... apenas isso...
    Abraços carinhosos

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